Bebês prematuros têm mais risco de danos cerebrais
Fonte: Reuters
Publicação: 9/8/2006

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que efeitos sobre bebês que nascem prematuros só aparecem anos depois, por volta dos oito anos de idade, quando regiões do cérebro dessas crianças se apresentam menores do que o normal. Os bebês do sexo masculino são mais afetados do que os do sexo feminino, afirmou a equipe de pesquisadores das faculdades de Medicina das Universidades Stanford, Yale e Brown.

Eles compararam o volume do cérebro de crianças de 8 anos nascidas prematuramente com o de crianças nascidas depois do período regulamentar de gestação. Descobriram áreas menores na região do córtex, principalmente em partes responsáveis pela leitura, linguagem, emoção e comportamento, das crianças prematuras.

O estudo confirma outras descobertas mostrando que garotos prematuros têm mais dificuldade que meninas prematuras para aprender a falar e se saem pior na escola e nas interações sociais. "Um volume cerebral menor nunca foi relacionado especificamente com um aumento maior das dificuldades entre os homens que entre as mulheres", disse Allan Reiss, de Stanford. "Essa é uma anormalidade de desenvolvimento surpreendente e significativa nos indivíduos do sexo masculino nascidos prematuros."

Os pesquisadores usaram aparelhos de ressonância magnética para avaliar o cérebro de 65 crianças prematuras, nascidas com cerca de 28 semanas de gestação, e 31 crianças nascidas depois de completada a gestação. Em artigo publicado na edição de agosto da revista Journal of Pediatrics, os cientistas disseram ter encontrado diferenças surpreendentes entre os dois grupos.

"No grupo de prematuros, descobrimos que os volumes da massa cinzenta e da massa branca eram menores", afirmou Reiss. "Quando dividimos o grupo de prematuros segundo o sexo das crianças, descobrimos que as meninas não apresentavam alterações no volume da massa branca. Mas o dos meninos estava reduzido quando comparado com o das crianças de gestação completa."

Os danos são provavelmente resultado do fato de os pulmões dos bebês prematuros não estarem totalmente desenvolvidos, impedindo que absorvam a quantidade ideal de oxigênio, afirmou o cientista. As meninas estariam protegidas desse efeito, até certo grau, por hormônios ou por genes contidos no cromossomo X.


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