Incontinência Urinária
Fonte: Clinimater
Publicação: 12/2/2008

A incontinência urinária constitui-se numa das mais freqüentes queixas no consultório ginecológico participando com 10,7% das consultas. Os últimos trabalhos mostram que entre 15 e 35% das mulheres sofrem com este problema, variando com a faixa etária podendo atingir até 50% das mulheres acima de 70 anos. Variando em sua intensidade desde perda apenas com grandes esforços, como espirrar ou fazer ginástica, e em poucas gotas até perda constante aos mínimos esforços como levantar da cama ou varrer a casa e molhando totalmente a roupa necessitando desde absorventes até fraldas geriátricas.

Acometendo na grande maioria o sexo feminino (75%) a incontinência urinária (IU), de acordo com a Sociedade Internacional de Continência (ICS), caracteriza-se pela perda de urina involuntária, que pode ser vista ou demonstrada no exame clínico, causando desconforto psico-social ou higiênico, queda da auto-estima e predispondo à depressão.

As pacientes com incontinência sentem-se constantemente inseguras e sobressaltadas pelo medo de perder urina em local inadequado Além disso, é comum algumas usarem absorventes ficando, permanentemente com odor de urina, o que causa constrangimento e dificuldades no convívio social. Nas pacientes mais jovens o problema pode inclusive dificultar o desempenho profissional e a atividade sexual. Comumente isolam-se e têm vergonha de procurar ajuda e discutir o caso com seu médico. Como a IU ocorre mais freqüentemente no climatério, que é um momento em que a depressão aflige com maior freqüência a paciente, ela funciona como fator desencadeador que se soma a outros levando a esta patologia. Queda da atividade sexual é outro aspecto da IU, geralmente causada pelo odor de urina nas roupas íntimas e até de perdas durante o ato sexual. Além da queda da qualidade de vida ela pode estar associada a outras alterações como a vulvite amoniacal (ardor, coceira e vermelhidão vulvar).

Até a alguns anos atrás o tratamento da IU era feito somente através de cirurgias. Muitas eram complexas e agressivas, com recuperação demorada. Além disso, os índices de falha variavam de 25 a 50%. O objetivo principal se limitava a corrigir a “bexiga baixa”. O diagnóstico era extremamente simplista e limitado. Na última década ocorreu uma grande evolução no conhecimento dos mecanismos da continência urinária e conseqüentemente das suas causas. Esse conhecimento também se refletiu nos métodos de diagnóstico e tratamento. Um dos principais avanços foi a introdução do “estudo urodinâmico”, que permite um diagnóstico mais preciso dos vários tipos de incontinência e com isso distinguir aquelas pacientes que precisam de uma cirurgia ou apenas de um tratamento menos agressivo. As técnicas cirúrgicas também acompanharam essa evolução dentro do conceito de procedimentos minimamente invasivos, o que tem reduzido em muito os índices de insucessos no tratamento da incontinência urinária, além de torná-los menos traumáticos e de recuperação mais rápida.


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